Supersafra de Soja em MS: Custos Elevados e Queda de Preços Comprimem Margens do Agronegócio
Supersafra recorde de soja em MS (17,7M tons) enfrenta margens apertadas: custos de fertilizantes +65,2%, preços da soja -37,3% do pico. Desafio de rentabilidade.
The Bottom Line
- Mato Grosso do Sul projeta uma colheita recorde de 17,7 milhões de toneladas de soja no ciclo 2025/2026, o maior volume já registrado, com um aumento de produtividade de 19,2%.
- Apesar da supersafra, produtores enfrentam severa compressão de margens, impulsionada por uma alta de 65,2% nos custos de fertilizantes (NPK 04-30-10) e uma queda de 37,3% nos preços da soja em relação ao pico de maio de 2022.
- Juros elevados, restrição de crédito rural e incertezas climáticas agravam os desafios de rentabilidade para os produtores agrícolas da região.
Análises da Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) destacam que a alta produtividade por si só já não é suficiente para garantir a rentabilidade. Raphael Gimenes, analista de economia da Aprosoja-MS, observou que "mesmo com boa produtividade, muitos produtores estão obtendo menor margem financeira devido ao aumento simultâneo dos custos de produção e da volatilidade dos preços agrícolas. A rentabilidade no campo não depende apenas da quantidade produzida, mas da relação entre receita, custos e eficiência comercial". Fatores geopolíticos e oscilações no mercado internacional elevaram tanto o preço das commodities quanto dos insumos nos últimos meses. Embora os preços da soja e do milho tenham tido uma recuperação parcial, o avanço dos custos operacionais continua a corroer o resultado líquido da atividade agrícola.
As pressões de custo são substanciais. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam que o fertilizante NPK 04-30-10, um insumo chave em MS, disparou 65,2% de R$3.355 para R$5.544 por tonelada entre março de 2025 e março de 2026. Outros insumos também registraram aumentos, com o calcário dolomítico subindo 9,9% e o gesso agrícola avançando 11,4%. Essas despesas crescentes, combinadas com os altos custos de combustível e taxas de juros elevadas, reduzem significativamente o retorno líquido da atividade agrícola.
Simultaneamente, os produtores sul-mato-grossenses estão lidando com uma queda substancial na remuneração da soja. Dados da Granos Corretora revelam que o preço da saca de 60 quilos de soja despencou 37,3% de seu pico de R$178,50 em maio de 2022 para R$111,88 em maio de 2025. Embora tenha havido uma leve recuperação para R$123.75 em 2024, os preços recuaram novamente em 2025 e 2026, apertando ainda mais as margens. Essa dinâmica – onde os custos de produção permanecem altos devido a fertilizantes, combustíveis e juros elevados, enquanto a receita do produtor diminui com a desvalorização da commodity – explica o estreitamento do cenário financeiro.
Linneu Borges, outro analista de economia da Aprosoja-MS, aconselha cautela aos produtores diante das incertezas internacionais. "O momento é de grande cautela. As condições globais estão voláteis e qualquer mudança gera um efeito para o produtor, e como são consideradas variáveis externas ao seu controle, ele se torna refém das decisões estrangeiras", afirmou Borges. Ele enfatizou ainda a necessidade de um planejamento financeiro robusto, citando os altos preços dos fertilizantes e do petróleo, juntamente com as condições desfavoráveis de crédito rural, como fatores críticos que exigem um plano futuro bem estruturado para os produtores. Embora os custos da soja tenham tido um aumento mais moderado, próximo de 2% entre as duas últimas safras, o milho também apresentou desafios semelhantes.